quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Reliquia

Estive a ver algumas mensagens antigas e encontrei uma mensagem que na altura não me lembrei de lhe dar a devida atenção.
São fotografias da senda pela Bretanha da nossa amiga Simone Alves.

Aqui fica então o endereço para quem tiver curiosidade:

http://simonah.canalblog.com/

Um abraço

RdN

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Recorde absoluto de audições no Myspace.


Sim é verdade, não que fosse necessário por aqui um post sobre quantos bacanos nos ouvem no nosso MySpace, mas....

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Mandrágora no PLANETA 3 de Raquel Bulha

Pois é amigos eis aqui uma entrevista com Raquel Bulha no Planeta 3 da Antena 3.

Ide oubir...ide! Alias nem é preciso ir é só clicar no link e ligar as colunas!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Novo alento, novo elemento...

Pois é amigos a vida tem destas coisas...
Eis que após mais de 6 anos, Nuno Silva volta às origens fazendo parte integrante do line-up de Mandrágora, agora com bouzouki grego e santur. Ele já fez parte da banda antes da gravação do 1º album, aliás, as músicas mais antigas que ainda tocamos nos concertos, Alto das Pedras Talhas, Vale de Sapos e Aranganho, ele foi o co-autor. Portanto mais trabalho se avizinha, mas com a certeza de que irá ser BRUTAL!!!

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Mandrágora no FMM Sines 2008

Entrevista ao Rascunho.net

"As portas estão a abrir-se para a música tradicional. Uma das provas são os Mandrágora, que desde que ganharam o Prémio Carlos Paredes, em 2006, têm palmilhado a Europa, reinventando sons e raízes. O novo álbum, Escarpa, é essa paisagem recortada.

Há um encantamento dos Mandrágora pelo mundo. Não o dizemos porque voltámos a encontrá-los entre instrumentos tão difícieis de lembrar como a moraharpa, a nyckelharpa ou o bouzouki, misturados com a guitarra clássica, o baixo e o violoncelo, a gaita-de-foles, a flauta, o saxofone e a percussão, que bem conhecemos. Está para lá dessa mestiçagem semântica e, até, da harmonia conseguida partindo das diferentes sonoridades de cada um. Falámos com eles (dois deles, na verdade: Filipa Santos e Ricardo Lopes – os dois mais à direita na fotografia ao lado, de Jorge Casais) a propósito do novo álbum, Escarpa, o segundo, e, em conversa de muito riso, surgem amiúde expressões como «espectacular» ou «o gajo fecha o tasco». Andam a tocar pela Europa, a fazer residências na Bretanha, mas a reverência não desapareceu com o crescimento do projecto, fortaleceu-se."... Hugo Torres

Para saber mais: http://rascunho.net/artigo.php?id=2109

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Ethnoambient 08 - Croácia

Eis um peq. video do amigo "sholky" - Fado Português ?

sábado, 26 de julho de 2008

As minhas desculpas e um obrigado...

Pois é amigos a vida prega destas partidas....
Quero aqui apresentar as minhas desculpas aos musicos e fãns de Mandrágora pois devido a um problema de saude me impediu de finalizar o concerto apresentado em Sines no Festival de Músicas do Mundo. Foi um calculo renal que apareceu subitamente na noite de quinta-feira, tendo sido hospitalizado na madrugada de quinta-feira e sem ter conseguido ficar na minha melhor forma toquei já bastante doente....
Quero aqui agradecer no entanto, a D. Pureza, ao Sr. Julio, à Filipa, à Mariza, aos restantes elementos da banda, ao manager, aos musicos convidados pela compreensão e a todos que manifestaram preocupação...
Foi um episodio dificil mas espero que não se repita...
Mais uma vez, em nome da banda um pedido de desculpa....e um muito obrigado!
Um grande bem haja....

Ricardo de Noronha

terça-feira, 8 de julho de 2008

Mandrágora na OPA!!!

Sim senhor.....
Não estava mesmo á espera disto, mas.... aqui vai!!!

quarta-feira, 11 de junho de 2008

MANDRÁGORA - «ESCARPA» (Hepta Trad/Compact Records)

Oiço este segundo álbum dos Mandrágora e não consigo deixar de pensar como seria bom ler um texto do Fernando Magalhães sobre ele. Porque está aqui, neste álbum, tudo o que o Fernando mais gostava: um amor imenso à música tradicional portuguesa mas um amor que não se fecha em si próprio, antes abrindo-se a muitas, tantas, outras músicas: a folk galega, inglesa, irlandesa, escocesa e escandinava, o rock progressivo e psicadélico, as derivações jazz, as doses certas de experimentalismo, aventura e arrojo. «Escarpa», dos Mandrágora, eleva este grupo portuense ao patamar dos grandes grupos folk europeus da actualidade. E é justo que eles lá estejam! Para além de Filipa Santos (flautas, saxofone e gaita-de-foles), Ricardo Lopes (percussões, flautas e throat-singing), Pedro Viana (guitarra clássica), Sérgio Calisto (violoncelo, moraharpa, bouzouki e nyckelharpa) e João Serrador (baixo), em escarpa colaboraram Simone Bottasso (acordeão diatónico), Matteo Dorigo (sanfona), a cantora Helena Madeira, do Projecto Iara, no hipnótico e selvático «Turbilhão», e Francisco Silva (aka Old Jerusalem) a dar a voz e a guitarra à deliciosa canção - canção mesmo! - que é «Abaixo Esta Serra».

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Mandrágora - Escarpa

Um dos grandes albuns do ano de um dos grandes projectos portugueses da actualidade...

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Mandrágora no Artesanato Sonoro - Ruc

Destaque discográfico da emissão:

Mandrágora - Escarpa
Provenientes do Porto, os Mandrágora surpreenderam muito boa gente em 2005 quando lançaram o seu óptimo album homónimo de estreia, na senda da musica tradicional portuguesa. Aclamado pela crítica, esse disco valeu-lhes na altura o prestigiado prémio Carlos Paredes, prémio entregue anualmente pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira ao melhor album português de música instrumental não erudita.
Três anos depois, eles estão de volta com um novo disco, intitulado Escarpa e lançado pela Hepta Trade, por onde têm passado outros nomes importantes da música nacional, como os Uxukalhus ou Dazkarieh. Ainda antes da sua edição, ficou feita a promessa e o anúncio, pela própria banda, de que os Mandrágora iriam agora enveredar por uma abordagem mais urbana, com intodução de elementos ligados ao jazz e até ao rock progressivo. Foi então com estes pressupostos e com imensa expectativa que o album chegou até nós, há cerca de um mês.
"Candelária", primeiro tema do album, é logo um extraordinário cartão de visita. Depois de um início com uma linha de baixo a cargo de João Serrador (tal como Sérgio Calisto, responsável por instrumentos como o violoncelo ou o bouzouki, uma das novidades na formação dos Mandrágora que muito enriqueceram o disco) e da presença fabulosa do saxofone surge, no tema, uma espécie de interlúdio à guitarra clássica, num daqueles momentos mágicos e magistrais que simplesmente se sentem e não se explicam, abrindo caminho a um final sublime, com a gaita-de-foles em destaque. A partir daqui, esperam-nos outras grandes faixas como "Ervamoura" (com um período só com percussão, a entrelaçar, de forma muito interessante, dois vibrantes e intensos momentos de gaita-de-foles), "Malagrado" (com a presença de dois instrumentistas internacionais: Matteo Dorigo na sanfona e Simone Bottasso na concertina), "O Que Calma Vai Caindo" (adaptação de um tema tradicional da Beira Baixa) ou "Escancaras", misturando, tal como prometido, a tradição com sonoridades mais modernas. Apesar de, tal como o disco de estreia, ser uma obra quase toda instrumental, merecem absoluto destaque os únicos dois temas com voz: "Abaixo Esta Serra", com Francisco Silva do óptimo projecto Old Jerusalém (a surpreender, ao cantar em português com a sua voz intensa e emocional, merecendo todo o louvor), e a fechar "Turbilhão", com Helena Madeira, ex-Dazkarieh. Estará aqui, neste último tema, de forma tenúe, alguma da fusão étnica dos Dead Can Dance ou alguma da intensidade e do nervo dos Primitive Reason? Talvez sim, talvez não, mas o que mais importa é que finaliza, em grande, esta obra-prima.
A raíz que se plantou no início, agora se fez formoso arbusto, diziam os Mandrágora metaforicamente a propósito do lançamento de Escarpa. Iria mais longe, dizendo que, mais do que apenas um formoso arbusto, os Mandrágora são já uma árvore florida cheia de fruto, ou seja, uma das grandes bandas portuguesas da actualidade e só uma postura nacional demasiado autista os poderá desvalorizar.
Nota: A próxima emissão de Artesanato Sonoro dedicada à música portuguesa decorrerá dia 7 de Junho e contará, em princípio, com uma entrevista telefónica com Pedro Viana dos Mandrágora.
posted by João Torgal @ 4:32 PM

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Mandrágora & Special Guests [Portugal / Bretanha]

Mandrágora & Special Guests [Portugal / Bretanha]

Músicos portugueses e bretões juntos num encontro com marca FMM.

Av. Vasco da Gama, 24 Julho 2008, 19h30.
O grupo portuense Mandrágora tem um nome que ressoa na memória secular das florestas europeias, aquela raiz de propriedades mágicas e forma humana que, diz a lenda, grita como uma criança quando a arrancam da terra. É de uma Europa grande e encantada a música que os vamos ouvir fazer em Sines. Prémio José Afonso 2006, o quinteto Filipa Santos, Ricardo Lopes, Pedro Viana, Sérgio Calisto e João Serrador chegam com um disco fresco, “Escarpa”, e um projecto original criado por iniciativa do FMM. Em Abril, estiveram na Bretanha, numa residência artística na Kreiz Breizh Akademi, sob direcção do violinista Jacky Molard. Já conhecemos Jacky de várias actuações em Sines e também o nível da formação da Akademi (Norkst, a sua primeira orquestra, estreou-se em Portugal no FMM 2007). Em Sines teremos, além de Molard, dois músicos dessa academia especializada em recuperar repertório bretão de tradição modal. São eles o clarinetista Guillaume Guern e a cantora luso-francesa Simone Alves. Dão ainda mais horizontes a uma das mais abertas bandas da folk portuguesa.

Escarpa - Rascunho.net

Enfiamos esta Escarpa pelos ouvidos adentro, a ver se nos massaja os ombros, num final de tarde que teima em perecer como todos os outros. E a verdade é que, de orelhas frias, de corpo pálido, vai o nariz pondo-se a jeito de apanhar um muro, duas casas, três muros, uma criança de bicicleta. Vamos neste ouvir alienado, desconfortavelmente sentados à boca do metro, nus de inocências, a querer sair e a ficar, a meter nos bolsos os silêncios literários, os silêncios desolados, as gritarias desconcertantes.

É o que nos permitem: andar alienados de música nos ouvidos, a não ouvir e deixar que o mundo lhe caia em cima, coitada, que não leva culpa disto, que se faz desabrochar nas noites desconfiadas do Porto cinzento e morto de coração e de alegria. Como tudo. Vamos de ouvidos metidos no bolso. E estes Mandrágora fazem de tudo para criar ambiguidades à passeata desonesta que levamos com as calçadas e o cimento e os escapes. A causa é muito simples, não precisamos de grandes viagens, está mesmo aqui: é a ruralidade que eles nos plantam nas mãos. E nós sem ruralidade nenhuma – não estão vocês a ver isto?

E já não temos forças e vamos, seja para onde for. Ruralidade? Pois, que sim. Estamos. Quantos caminhos nos ficam por galgar neste andar de um lado para o outro e voltar a fazer o mesmo? Talvez eles o saibam e talvez seja neles intrínseca a necessidade de ultrapassar a urbanidade do rock e até do jazz, para que se inebriem com as raízes do que fomos e somos e que, sem eles, não voltaremos a ser. O sol, que hoje não nos passou pelas costas a aquecer o corpo, está aqui. E é toda uma espécie de futuro. Que importa se ninguém diz nada? Que importa se ouvimos uma sanfona e nos pomos para aqui a falar de dias vindouros, de quem não conhecemos cor nem rosto.

O pouco que sabemos é que estes Mandrágora partilham uma mesma cidade connosco – o Porto. Disseram-nos, uma vez, que as coisas não se resolvem a existir e pronto. É preciso pôr o pé no processo. (Ou no progresso, ou lá como se diz na língua daquele homem que ali vai, sozinho, que ainda leva o patrão a ranger-lhe os dentes e que não chora porque sabe que não deve chorar. Só por isso.) Há muito que tomámos consciência de que existe uma afirmação no plano musical, mas só com Escarpa – e apenas hoje – nos assola uma ideia oxigenada dos sons que eles nos pintam com as coisas muito práticas, como viver e cortar duas laranjas.


Filipa Santos (flautas, saxofone e gaita-de-foles), Ricardo de Noronha (bateria e percussões), Pedro Viana (guitarra clássica), João Serrador (baixo) e Sérgio Calisto (guitarra de 12 cordas, violoncelo, nyquelarpa, moraharpa e bouzouki) são os Mandrágora (na foto acima, de Jorge Casais). E são capazes de, ao segundo disco, ter uma confirmação quase mágica das esperanças que lhes depositámos no colo por alturas da estreia homónima em 2005 (ed. Zounds) e do Prémio Carlos Paredes em 2006. Mas, agora, a conversa é outra, não se faz de concursos de popularidade e de sim, senhor, estes miúdos novos fazem isto muito bem. Isso já passou. Estamos num novo plano. Um plano que pode ser duro e ingrato – por falta de visibilidade ou de reconhecimento continuado.

Fica-nos uma ideia muito forte deste novo conjunto de composições e de liberdades mestiças: os Mandrágora não andam a brincar aos discos. Sem lhes tirar o mérito devido – o patamar de exigência já se tornou tão baixo, que isto até nos surpreende. Ou talvez devêssemos olhar melhor para o catálogo da Hepta Trad, responsável pela edição deste disco, e perceber que não estamos sozinhos.Sítio Oficial MySpace

Hugo Torres, 2008

terça-feira, 27 de maio de 2008

Mapamundi

Segundo disco de Mandrágora: Escarpa


Monday, 26 May 2008
http://www.mundimapa.com/joomla/index.php?option=com_content&task=view&id=399&Itemid=51

¡Cuántas alegrías nos está dando la música portuguesa últimamente! Bueno, portuguesa, húngara,... hasta estadounidense. Y de ello iremos comentando más luego.Mandrágora es un grupo portugués, que, aunque en su Myspace se definen como "folk", caben, pero exceden ese término (la forma de elegir las categorías en Myspace deja poco lugar para la imaginación...). Escarpa es el segundo disco de este grupo. Podríamos intentar describirlos, describir cómo suenan a inspiración en el folk de su país, pero con una actitud progresiva, como hermanan con naturalidad saxofón y zanfona, como tras unas notas introspectivas del buzuki explota un arrebato envolvente que no deja respiro. Encontrarás algo de todo esto aquí. Maravilloso el tema Candelaria, que además nos recuerda a este otro grupo, que hoy nos anunciaba el envío de su primer flamante disco... Mientras, nos quedamos un poquito más con Escarpa.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Entrevista para aTrompa

EM DIRECTOCom Mandrágora
13Mai08

A surpreenderem mais uma vez com o seu novo álbum, “Escarpa” (Hepta Trad, 2008), os Mandrágora deixaram-nos por aqui algumas respostas:

a trompa: O que move os Mandrágora?
Mandrágora: A nossa motivação principal é fazer música instrumental, composições da nossa autoria que reflectem a vivência musical de cada um dos elementos do grupo. Move-nos essencialmente um gosto muito grande por música de conjunto: apresentar ideias, trabalhá-las, direccionar o nosso trabalho de composição para que o resultado seja do agrado de todos os elementos, fazer música original sem estar balizada por géneros (folk, rock, jazz, etc). Deixar a música fluir e revelar-se por si mesma! .

a trompa: Foi para vocês uma surpresa, as críticas positivas que receberam ao primeiro álbum? Em jeito de balanço, o que acham que cativou as pessoas?
Mandrágora: O que cativou as pessoas terá sido a nossa maneira diferente de conciliar as músicas tradicionais e modernas, porque já toda a gente ouviu montes de fusões superficiais, do tipo melodia tradicional com batida techno ou guitarras com distorção, mas a nossa fusão está na própria concepção das melodias. Ouve-se uma frase e não se consegue identificar de onde aquilo vem. Sabíamos que essa sensação de estranheza ia atrair algumas pessoas, mas ficamos muito surpreendidos, por exemplo, com a atribuição do Prémio Carlos Paredes.

a trompa: Sentiram de algum modo - até pela forma como o vosso 1º disco foi recebido, a chamada ‘pressão do 2º álbum’? Como correram as gravações?
Mandrágora: Houve alguma pressão, mas não mais do que em qualquer outra gravação ou concerto, porque tentamos fazer sempre o melhor que nos é possível. Sabíamos que havia algumas coisas a melhorar face ao primeiro disco. Houve a preocupação de o tornar ritmicamente mais intensos e com mais pujança sonora. No geral, podemos dizer que as gravações correram bem, graças ao trabalho e paciência do técnico Joaquim.

a trompa: “Escarpa” parece querer continuar um trabalho de alguma experimentação, de alguma evolução dentro do campo da música tradicional portuguesa. É correcta esta ideia? Isto é para vocês um objectivo?
Mandrágora: Pode-se dizer que se continua o caminho de experimentação que já vem sendo percorrido desde o primeiro disco, mas não dentro da música tradicional. Mas não somos um grupo de música tradicional, apenas temos a música tradicional como uma das nossas maiores referências, e usamos alguns instrumentos tradicionais de vários países (Portugal, Suécia, Espanha, Irlanda) para fazer a nossas composições. O nosso objectivo é fundir estes instrumentos com outros mais representativos de outros géneros musicais, como o violoncelo e a guitarra clássica, o baixo eléctrico, o saxofone e bateria. Não temos pretensões de fazer evoluir a música tradicional portuguesa pois não a fazemos.. tentamos sim, sempre que possível, criar um som novo e isso é um objectivo nas nossas composições.

a trompa: Como olham o actual panorama da música tradicional - e semelhantes – portuguesa?
Mandrágora: Está a evoluir a olhos vistos, estão muitos projectos a aparecer e outros a lançar novos discos, vivemos um bom momento actualmente, com muita fartura!
a trompa: Podem levantar o véu sobre o concerto de apresentação de “Escarpa”? Há alguma surpresa guardada para o dia 9 de Maio?Mandrágora: Sim temos algumas, mas se dissermos agora deixarão de ser surpresas.

a trompa: Como caracterizam vocês o novo álbum “Escarpa”?
Mandrágora: Um álbum diferente do que actualmente se pode encontrar, com musicas originais e instrumentos diferentes do que, normalmente, costuma ser nosso apanágio.Um álbum cheio de força e na senda de conquistar um lugar na música portuguesa.

a trompa: O que podem esperar as pessoas que vos forem ver ao vivo?
Mandrágora: Muita música instrumental, alguma cantada e boa disposição como de costume.

Mandrágora - «Escarpa» - Grande Sons

Em 2005 o panorama da chamada música tradicional portuguesa abanava com o aparecimento dos portuenses Mandrágora autores de um disco de estreia que os levou a vencer o prémio Carlos Paredes um ano depois. Volvidos três anos e os Mandrágora regressam em formato revisto e aumentado e com novos caminhos na sua música.Chama-se «Escarpa» o novo disco da banda e é um exercício surpreendente em relação ao que se conhecia do seu universo. E como cresceu musicalmente o projecto Mandrágora! A referência tradicional que marcava o disco de estreia, bem apoiada nos sons das flautas, continua lá, mas agora as canções são mais musculadas, ganharam matéria prima mais cara ao jazz muito graças à entrada de Sérgio Calisto e João Serrador, músicos dados ao improviso.A verdade é que «Escarpa» é um registo muito equilibrado, e interessante, que tem como base a rica tradição portuguesa mas que vai muito além desse formato para crescer para peças que chegam a fazer lembrar as explosões intrumentais do chamado post-rock praticado por bandas como os Explosions in the Sky. Pode soar estranho mas na prática resulta em pleno, isto porque a maior parte do álbum vive de temas intrumentais que usam a fórmula de soar calmo até elevar a tensão ritmica ao máximo. A excepção é «Abaixo Esta Serra» tema cantado por Francisco Silva em bom português e que é um ponto alto do disco.Uma passo em frente arriscado mas muito importante e bem conseguido que coloca os Mandrágora na linha da frente da inovação instrumental a partir das raízes tradicionais. «Escarpa» numa palavra é estimulante.

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posted by J G at 12:40

Escarpa - Mandrágora - Rascunho.net

Escarpa
Mandrágora, 2008


Enfiamos esta Escarpa pelos ouvidos adentro, a ver se nos massaja os ombros, num final de tarde que teima em perecer como todos os outros. E a verdade é que, de orelhas frias, de corpo pálido, vai o nariz pondo-se a jeito de apanhar um muro, duas casas, três muros, uma criança de bicicleta. Vamos neste ouvir alienado, desconfortavelmente sentados à boca do metro, nus de inocências, a querer sair e a ficar, a meter nos bolsos os silêncios literários, os silêncios desolados, as gritarias desconcertantes.

É o que nos permitem: andar alienados de música nos ouvidos, a não ouvir e deixar que o mundo lhe caia em cima, coitada, que não leva culpa disto, que se faz desabrochar nas noites desconfiadas do Porto cinzento e morto de coração e de alegria. Como tudo. Vamos de ouvidos metidos no bolso. E estes Mandrágora fazem de tudo para criar ambiguidades à passeata desonesta que levamos com as calçadas e o cimento e os escapes. A causa é muito simples, não precisamos de grandes viagens, está mesmo aqui: é a ruralidade que eles nos plantam nas mãos. E nós sem ruralidade nenhuma – não estão vocês a ver isto?

E já não temos forças e vamos, seja para onde for. Ruralidade? Pois, que sim. Estamos. Quantos caminhos nos ficam por galgar neste andar de um lado para o outro e voltar a fazer o mesmo? Talvez eles o saibam e talvez seja neles intrínseca a necessidade de ultrapassar a urbanidade do rock e até do jazz, para que se inebriem com as raízes do que fomos e somos e que, sem eles, não voltaremos a ser. O sol, que hoje não nos passou pelas costas a aquecer o corpo, está aqui. E é toda uma espécie de futuro. Que importa se ninguém diz nada? Que importa se ouvimos uma sanfona e nos pomos para aqui a falar de dias vindouros, de quem não conhecemos cor nem rosto.

O pouco que sabemos é que estes Mandrágora partilham uma mesma cidade connosco – o Porto. Disseram-nos, uma vez, que as coisas não se resolvem a existir e pronto. É preciso pôr o pé no processo. (Ou no progresso, ou lá como se diz na língua daquele homem que ali vai, sozinho, que ainda leva o patrão a ranger-lhe os dentes e que não chora porque sabe que não deve chorar. Só por isso.) Há muito que tomámos consciência de que existe uma afirmação no plano musical, mas só com Escarpa – e apenas hoje – nos assola uma ideia oxigenada dos sons que eles nos pintam com as coisas muito práticas, como viver e cortar duas laranjas.


Filipa Santos (flautas, saxofone e gaita-de-foles), Ricardo de Noronha (bateria e percussões), Pedro Viana (guitarra clássica), João Serrador (baixo) e Sérgio Calisto (guitarra de 12 cordas, violoncelo, nyquelarpa, moraharpa e bouzouki) são os Mandrágora (na foto acima, de Jorge Casais). E são capazes de, ao segundo disco, ter uma confirmação quase mágica das esperanças que lhes depositámos no colo por alturas da estreia homónima em 2005 (ed. Zounds) e do Prémio Carlos Paredes em 2006. Mas, agora, a conversa é outra, não se faz de concursos de popularidade e de sim, senhor, estes miúdos novos fazem isto muito bem. Isso já passou. Estamos num novo plano. Um plano que pode ser duro e ingrato – por falta de visibilidade ou de reconhecimento continuado.

Fica-nos uma ideia muito forte deste novo conjunto de composições e de liberdades mestiças: os Mandrágora não andam a brincar aos discos. Sem lhes tirar o mérito devido – o patamar de exigência já se tornou tão baixo, que isto até nos surpreende. Ou talvez devêssemos olhar melhor para o catálogo da Hepta Trad, responsável pela edição deste disco, e perceber que não estamos sozinhos.

Sítio Oficial MySpace

Hugo Torres, 2008

Mandrágora«Escarpa» - Diário digital

«Escarpa», Mandrágora
João Gonçalves

Em 2005 o panorama da chamada música tradicional portuguesa abanava com o aparecimento dos portuenses Mandrágora autores de um disco de estreia que os levou a vencer o prémio Carlos Paredes um ano depois. Volvidos três anos e os Mandrágora regressam em formato revisto e aumentado e com novos caminhos na sua música.
Chama-se «Escarpa» o novo disco da banda e é um exercício surpreendente em relação ao que se conhecia do seu universo. E como cresceu musicalmente o projecto Mandrágora! A referência tradicional que marcava o disco de estreia, bem apoiada nos sons das flautas, continua lá, mas agora as canções são mais musculadas, ganharam matéria prima mais cara ao jazz muito graças à entrada de Sérgio Calisto e João Serrador, músicos dados ao improviso.
A verdade é que «Escarpa» é um registo muito equilibrado, e interessante, que tem como base a rica tradição portuguesa mas que vai muito além desse formato para crescer para peças que chegam a fazer lembrar as explosões intrumentais do chamado post-rock praticado por bandas como os Explosions in the Sky. Pode soar estranho mas na prática resulta em pleno, isto porque a maior parte do álbum vive de temas intrumentais que usam a fórmula de soar calmo até elevar a tensão ritmica ao máximo. A excepção é «Abaixo Esta Serra» tema cantado por Francisco Silva em bom português e que é um ponto alto do disco.
Uma passo em frente arriscado mas muito importante e bem conseguido que coloca os Mandrágora na linha da frente da inovação instrumental a partir das raízes tradicionais. «Escarpa» numa palavra é estimulante.
Mandrágora«Escarpa»Heptatrad
13-05-2008

Mandrágora - Escarpa - Apartes Blog

Segunda-feira, Maio 12

Mandrágora - Escarpa + Fadomorse - Folklore Hardcore
O selo lisboeta Hepta Trad tornou-se, nos últimos tempos, uma referência importante da nova folk portuguesa, ao acolher alguns dos mais interessantes projectos musicais de cariz tradicionalista. Não obstante essa identidade "histórica" transversal aos artistas que pontificam no catálogo da editora, é curto dizer-se que gente como os Dazkarieh, os Mandrágora, os Fadomorse ou os Omiri, por exemplo, são "apenas" veículos da tradição ou meros tradutores dos atavismos do secular manancial da música tradicional portuguesa. Essa fonte riquíssima é, em si mesma, uma genuína sugestão de coordenadas e ensinamentos instrumentais e melódicos que, depois, se acomodam a linguagens e pensares contemporâneos e a feitios de modernidade, assim convocando, no mesmo veio criativo, mágicos fragmentos de anacronismo e o indispensável pendor modernista. Em rigor, trata-se de homenagear a tradição e a história, repensando-a e trazendo-a a órbitas estéticas e escalas estruturais de hoje.

7/10
Hepta TradCompact Records2008

O quinteto Mandrágora, em lançamento de segundo álbum, é exemplo paradigmático desse fôlego reformista das tradições. Depois de um primeiro exercício de gravação incubado nos cânones mais tradicionais da música popular lusa, na altura situado como descendente orgulhoso desse filão, o novo opus desvenda uma curiosa vontade de procurar afinidades entre património histórico-popular e sonoridades mais próprias das urbes. Dizer isto é o mesmo que perceber que os Mandrágora têm, agora, um rumo mais definido do que antes. Não sendo um produto de radicalismos vanguardistas - isso seria atentar contra a identidade da banda - Escarpa é certamente um trabalho mais ousado do que o antecessor, desde logo na forma como os ingredientes tradicionais são postos ao serviço de composições que conjugam a tradição popular e sabores hodiernos que se confundem com alentos progressivos e jazz. A gaita-de-foles está cá, o saxofone especula mais do que antes, as cordas aparecem com oportunidade, a flauta é vírgula indispensável, o baixo e a bateria dão vida ao recanto, a guitarra clássica tece os panos da melodia. E, no meio dos instrumentais, ainda cabe uma canção inteira ("Abaixo Esta Serra"), com o canto cortês de Francisco Silva (Old Jerusalem).

segunda-feira, 5 de maio de 2008

OLHARES|”Escarpa” - Mandrágora

Uma ansiedade tornada realidade; a realidade da novidade. É hoje editado o novo álbum dos portuenses Mandrágora.
Três anos depois do surpreendente “Mandrágora” (Zounds, 2005), os mesmos Mandrágora mostram finalmente o sucessor desse magnífico primeiro álbum; o novo chama-se “Escarpa”. Não, que fosse imperativo provar o que quer que fosse, no entanto, os Mandrágora fizeram questão de voltar a afirmar porque são um dos projectos mais criativos e originais na área da folk nacional. Os artistas, esses, são Filipa Santos (flautas, saxofone e gaita-de-foles), Ricardo de Noronha (bateria e percussões), Pedro Viana (guitarra clássica), João Serrador (baixo) e Sérgio Calisto (guitarra 12 cordas, violoncelo, nyquelarpa, moraharpa e bouzouki). É de arte que falamos.
Sem nunca esconderem as raízes folk que orientam a sua música - nem faria sentido, em “Escarpa”, os Mandrágora encetam uma estonteante correria ladeira abaixo - íngreme, numa velocidade tal, que leva atrás de si um mundo de paixões; não são só tradicionais, tem paixões rock pelo meio - bateria e baixo ajudam , tem uma paixão jazz a olhar de soslaio - com um saxofone em devaneio, tem toda uma nova forma de transformar o presente, mostrando-nos como o futuro pode ser feito de uma luz ainda mais forte que a do presente. É isto que os Mandrágora fazem com grande arrojo, numa reinvenção constante, num deambular experimentalista pelo que o folk permite, experimentar. “Escarpa” permite-nos ser surpreendido a cada faixa.
“Escarpa” é uma explosão; deflagração impulsionada por uma riqueza instrumental única, absorvida por arranjos diferentes, complexos, bem sucedidos na combinação instrumental que é todo o desenho sonoro do grupo. Ao baixo e à bateria, junte-se ainda o trabalho central da guitarra, a magia da gaita-de-foles e das flautas, a diferença do violoncelo, da moraharpa e da nyquelarpa; junte-se ainda o acordeão diatónico de Simone Bottasso, a sanfona de Matteo Dorigo e as vozes de Francisco Silva - também na guitarra - e de Helena Madeira. “Escarpa” é de uma excelência instrumental.
Composto na sua totalidade por temas originais dos Mandrágora - excepto o tradicional da Beira Baixa “O Que Calma Vai Caindo”, “Escarpa” é verdadeiramente luminoso no seu todo, na forma como a produção conseguiu dar à luz tamanha originalidade. É ténue o cruzamento da folk com algumas outras ideias, como o já referido rock, tão ténue que a torna única. Sobre o primeiro disco do grupo, disse-se por aqui em tempos que este era “tradição, inspiração, revolução. A música tradicional nos Mandrágora não é um fim é apenas um meio; não é o resultado, é apenas o processo para uma nova visão da música tradicional; uma visão mais criativa, mais actual.” (1); como tudo continua a fazer sentido; ou mais sentido ainda, num caminho que os Mandrágora continuam a trilhar com toda a segurança e criatividade.
“A raiz que se plantou no início, agora se fez formoso arbusto… ” (1); a plantar magia desde 1999.

sábado, 3 de maio de 2008

Primeiro de Janeiro - Suplemento Se7e - Entrevista

SETE > lançamen7o

Mandrágora editam segunda-feira segundo álbum de originais

Um «Escarpa» menos tradicional.

No segundo trabalho discográfico, os Mandrágora têm uma sonoridade mais urbana, em que o jazz ocupa lugar de destaque, sem no entanto deixarem cair o cunho tradicional e folk que sempre os caracterizou. «Escarpa» mostra um colectivo em fase de transformação, oferecendo uma música de fusão e que, acima de tudo, soa bastante agradável.
O «Porto, Bairro a Bairro» vai conhecê-lo, pois a partir de sexta-feira estão agendadas quatro actuações em outros tantos auditórios da cidade Invicta. Pedro Vasco Oliveira«Escarpa», o segundo álbum dos portuenses Mandrágora, chega segunda-feira às lojas. Para o apresentar, quatro auditórios do Porto recebem a banda: Auditório do ISEP (dia 9), Auditório de Aldoar (10), Auditório da Pasteleira (16) e Auditório de Campanhã (17). Os Mandrágora integram o projecto «Porto, Bairro a Bairro» e aproveitam para apresentar o novo trabalho ao público da Invicta.Pedro Viana e Ricardo Lopes contaram ao SE7E como descobriram esta «Escarpa» e de que forma a pretendem mostrar ao público.
Os dois músicos fazem parte de um colectivo alargado, que integra ainda Filipa Santos, Sérgio Calisto e João Serrador, contando, no disco e nestes quatro concertos, com as participações de Helena Madeira e Francisco Silva.Como os próprios dizem “a raiz que se plantou no início, agora se fez formoso arbusto...”.

Que «Escarpa» é esta?
Pedro Viana (PV) – Quando andávamos à procura de um nome para o disco queríamos um que pudéssemos associar à música, porque quando se faz música instrumental nem sempre é fácil de encontrar os nomes certos. Em relação ao outro disco este tem momentos mais explosivos, momentos em que a música vai lá cima e depois volta a descer. Este tem momentos mais fortes do que o outro, que era um pouco mais redondo e este é mais escarpado. Basicamente, essa é a ideia.

Olhando ao primeiro disco, em que sentido acham ter evoluído?
Ricardo Lopes (RL) – No primeiro disco participaram dois músicos que entretanto saíram da banda e a evolução deu-se a partir do momento em que entraram o Sérgio Calisto e o João Serrador. Com os instrumentos que tocam trouxeram uma outra abordagem à música que fazíamos. No primeiro disco usávamos nas músicas mais flautas e tínhamos temas mais tradicionais, entre aspas; neste, devido à entrada do Sérgio e do João, que trouxeram as influências e os instrumentos deles, a nossa sonoridade transformou-se e evoluiu para o que hoje é a «Escarpa».

O sentido mais tradicional da vossa música é mais representado pelos que se mantêm na banda desde o disco «Mandrágora» e a urbanidade mais pelos novos elementos?
RN – Pode ser visto por esse prisma… No início, como éramos só três, a música era um bocado mais simples, mas quando eles entraram trouxeram com eles essa tal urbanidade que transformou a nossa música por completo.

Ao ouvir esta «Escarpa» reconhece-se uma forte componente jazzística na sonoridade da banda. Essa é uma marca indelével nesta «Escarpa»?
RN – Sim.
PV – É normal, porque quando gravámos o primeiro disco já ouvíamos e gostávamos de jazz e até já havia momentos que tinham o seu toque jazzístico… Só que a instrumentação, se calhar, não mostrava tanto isso. Agora, como a Filipa está a usar muito mais o saxofone, isso está sempre presente. E o João Serrador, que também é um músico com formação de jazz, ainda veio acentuar mais esse lado. O Ricardo também alterou a forma de tocar, agora faz umas percussões muito mais bateria, enquanto dantes era mais próximos das percussões tradicionais. Acabamos por nos influenciar todos uns aos outros e o resultado final é este. Há ali um toque jazzístico, como há um toque de muitas outras coisas.

E com que referências se chega a um resultado destes?
RN – As referências é o que cada um ouve, o que cada um gosta, que vão desde bandas tradicionais suecas, a grupos de jazz, aqui do Porto, por exemplo… Penso que é o resultado do que toda a gente gosta um pouco e todos trazem para a banda.

Como foi o processo de composição deste «Escarpa»?
RN – Com a entrada do Sérgio Calisto e do João Serrador tivemos que alterar as músicas que já tínhamos gravado no primeiro álbum, pois eram músicos diferentes e outros instrumentos. Desde essa altura as músicas foram-se alterando, fomo-las melhorando de concerto para concerto e evoluindo até ao ponto em que considerámos que tínhamos repertório para gravar um bom disco…

E porquê a opção pelo instrumental, apesar de haver alguma vocalização neste disco, se bem que pouca? Brincando um pouco, à falta de voz apenas?
RN – [risos] Também… Mas deve-se, essencialmente, aos instrumentos, alguns, por exemplo, feitos tradicionalmente na Suécia, que emprestam um carácter diferente devido à sonoridade que têm.
PV – O facto dos músicos novos serem instrumentistas e não cantores tem que ver com o que o grupo já trazia detrás. A nossa opção sempre foi a música instrumental até aqui – talvez um dia nos dê para fazer uma coisa diferente –, porque a música que ouvimos em casa, o que gostamos mais e o que sempre fizemos foi música instrumental. De facto, temos tido algumas colaborações pontuais com cantores, enquanto as colaborações com instrumentista solidificam mais e são mais duradouras porque se enquadram mais com o espírito do grupo desde o início.

O resultado final deste «Escarpa» corresponde ao que idealizaram quando partiram para o disco?
RN – Penso que supera…Tínhamos as nossas músicas, mas a participação do Simone e do Matteo – que conhecemos numa estadia em França durante o Euro Folk, altura em que ficou a promessa deles participarem num disco nosso – foi uma enorme mais-valia para a nossa música. Demos-lhes liberdade total, tal como à Helena na voz, e o resultado foi muito positivo, o que superou as nossas expectativas.
PV – As participações foram excepcionais e contribuíram muito para o valor do trabalho e não deixaram de nos surpreender. Estamos contentes com o disco, sendo certo que agora há pequenos reparos que faríamos, mas no global o trabalho tem qualidade e soa bem. Estamos muito contentes…

E como surgiu a possibilidade de integrarem esta iniciativa «Porto, Bairro a Bairro», que vos vai levar a quatro auditórios da cidade Invicta?
PV – Há pouco estávamos a falar sobre a dificuldade das bandas do Porto irem tocar a Lisboa, o que não deixa de ser verdade, mas também nos queixávamos de que era difícil tocar nos auditórios do Porto e, de repente, vamos tocar a quatro… [risos]. Estamos muito satisfeitos com esta iniciativa, é uma oportunidade de levar a nossa música a mais gente… Estamos contentes porque é uma iniciativa que tenta levar a música ao maior número de pessoas possível e é isso que também queremos. E como a nossa música não é cantada, por vezes, não é fácil de entrar à primeira, mas com iniciativas destas, com aposta na música instrumental e folk as pessoas vão habituando-se a ouvir e assim poderemos ter cada vez mais público.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Entrevista de Mandrágora para Crónicas da Terra - 28 de Abril

Entrevista com Mandrágora. Fala-se do álbum “Escarpa”, da residência na Bretanha e da possível ida ao FMM de Sines com três músicos franceses.

Para oubir clique na ligação no titulo.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Poesia para Mandrágora - Obrigado Jorge Vicente

13.4.08

mandrágora (mandrágora)



(imagem dos mandrágora)

nada é contra a noite
e tudo o que foge regressa
sempre como se a música
fosse promessa fácil e

encantamento de sons


a mandrágora, ofereço-a
a quem ouvir os sons e
os cortar numa lombada
de silêncios

jorge vicente

quarta-feira, 19 de março de 2008

A Mandrágora que subiu à Escarpa - por Luis Rei.

A MANDRÁGORA que subiu à escarpa

March 19, 2008

mandragora2008.jpgHá três anos atrás, não tive qualquer problema em afirmar que o álbum de estreia dos portugueses MANDRÁGORA havia sido o mais surpreendente álbum gravado por músicos portugueses da colheita de 2005. No próximo dia 5 de Maio, o projecto de FILIPA SANTOS, RICARDO LOPES, PEDRO VIANA, SÉRGIO CALISTO e JOÃO SERRADOR oferecem-nos uma visita guiada a uma “Escarpa” que os coloca muito acima daquilo que se chama muito simplesmente de música tradicional portuguesa. Primeiro porque é muito redutor aplicar tal termo a este projecto. “Escarpa” é o resultado do amadurecimento criativo e do balizar das excelentes indicações deixadas no primeiro disco. Há o acentuar do drone do violoncelo, nickelharpa e moraharpa de SÉRGIO CALISTO (que também trouxe outra consistência aos MU); o constante vai-acima-vai-abaixo (típico de projectos pós-rock como GYBE!); o formato mais encorpado (e menos frágil) da sonoridade dos MANDRÁGORA, quer pelo maior uso do saxofone de FILIPA SANTOS (é pena haver menos espaço para as flautas que emanam orvalho e à densa floresta que se abre) e pela intensidade do baixo de JOÃO SERRADOR (excelente aquisição que veio dar uma tonalidade muito mais dinâmica e roqueira à banda), que não absorvem os momentos cintilantes da muito bem dedilhada guitarra clássica de PEDRO VIANA; um inesperado e exemplarmente bem metido solo de bateria em “Erva Moura”; a agradável surpresa de ouvirmos FRANCISCO SILVA cantar em português “Abaix´esta serra / verei minha terra / Ó montes erguidos /deixai-vos cair /deixai-vos sumir / e ser destruídos / pois males sentidos / me dão tanta guerra / por ver minha terra.”, na única canção deste disco, “Abaixo Esta Serra”; os urrares demoníacos com que HELENA MADEIRA (ex-DAZKARIEH, actualmente no PROJECTO IARA) nos brinda no último tema (“Turbilhão”), cujo exercício vocal (também empregue em “Casa Nostra” dos MU) se assemelha a uma “spell song” retirada do épico finlandês Kalevala.

“Escarpa” foi gravado no Estúdio Fortes & Rangel (Porto) e para além dos convidados já referidos contou também com as colaborações de prestação de Simone Bottasso no acordeão diatónico e de Matteo Dorigo na Sanfona. Os treze temas que constituem o alinhamento do disco são: “Candelária”,”Picões do Diabo”, “Baile do Escangalhado”, “Cubo”, “Mijavelhas”, “Abaixo Esta Serra”, “Ervamoura”, “Ó Que Calma Vai Caindo”, “Escancaras”, “Odelouca”, “Malagrado”, “Tardo” e “Turbilhão”.

Daqui por duas semanas, os MANDRÁGORA embarcam numa digressão pela Bretanha onde terão a oportunidade não só de apresentar este disco ao público francês, como também efectuar uma residência com a KREIZ BREIZH AKADEMI que participou no FMM de Sines do ano passado. Entre os dias 9 e 17 de Maio a banda percorre alguns auditórios do Porto. Os quatro espectáculos marcados para a invicta são de entrada livre.

APRESENTAÇÃO DO DISCO ESTRANGEIRO:
4 Abril - Lorient, Bretanha, França
5 Abril - Rostrenen, Bretanha, França
11 Abril - Langonnet, Bretanha, França (com a Kreiz Breizh Akademi)
12 Abril - Kergloff, Bretanha, França (com a Kreiz Breizh Akademi)
13 Abril - St. Nicolas du Pélem, Bretanha, França (com a Kreiz Breizh Akademi)

APRESENTAÇÃO DO DISCO EM PORTUGAL:

9 de Maio - Porto, Auditório do ISEP
10 de Maio - Porto, Auditório de Aldoar
16 Maio - Porto, Auditório da Pasteleira
17 Maio - Porto, Auditório da Campanhã

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Parlez vous Français?....um pouquito!

MANDRAGORA / IZHPENN12 (Kreiz Breizh Akademi #2)

Ven 11 Avril - 21h - Salle Socio-culturelle - (Langonnet-56)

Sam 12 Avril - 21h - Salle Bonnet Rouge - (Kergloff-29)

Dim 13 Avril - 17h - Salle des fêtes - (St Nicolas du Pelem-22)

Mandragora Izhpenn12

Inspiré de la musique traditionnelle portugaise et à l’écoute des autres cultures, Mandràgora est un jeune groupe émergeant de Porto. En résidence à La Grande Boutique pendant une semaine, ils ont travaillé leur répertoire sous les conseils de Jacky Molard. Ils se produiront pour la première fois en Bretagne, en compagnie de quelques musiciens issus de la Kreiz Breizh Akademi #1.

Izhpenn12, second collectif issu de la Kreiz Breizh Akademi axé prioritairement sur les cordes, poursuit le travail innovant sur la modalité, ouvrant le patrimoine populaire breton aux musiques de la Méditerranée et du Moyen-Orient.
Sous la direction d’Erik Marchand.

web : Mandràgora

TP : 10€ / TR : 8€
Infos, Résas : Dre ar Wenojenn, 02 97 23 83 83

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Antevisão de "ESCARPA"

Pelo amigo Rui Dinis - A Trompa:

ANTEVISÃO|”Escarpa” - Mandrágora

13Fev08

Depois de um excelente e premiado primeiro álbum, o homónimo “Mandrágora” (Zounds, 2005), os tripeiros Mandrágora preparam já o lançamento do seu segundo disco; vai chamar-se “Escarpa” e tem saída prevista para 9 de Maio. O maestro solicitou algumas palavras sobre o novo disco…

Título: Escarpa
Editora: Hepta Trad
Data de Edição: 9 Maio

Depois da senda pelas raízes folk, que serviram de inspiração ao 1º disco dos Mandrágora, o novo “Escarpa” segue um caminho mais urbano numa explosão de ideias progressivas com salpicos de Jazz e vórtices de Rock. As músicas são curtas e densas com melodias rápidas na gaita de foles, muita improvisação ao saxofone e um baixo e bateria intensos. O conjunto é enriquecido com originais arranjos de guitarra e pela introdução de instrumentos de arco como o violoncelo a moraharpa e a nyquelarpa. Além da composição instrumental conjunta, “Escarpa” conta com a participação internacional de Simone Bottasso no acordeão diatónico e de Matteo Dorigo na Sanfona, e da participação nacional de Francisco Silva na voz e guitarra e de Helena Madeira na voz.
A raíz que se plantou no inicio, agora se fez formoso arbusto…
“.

…de ficar com água na boca.

live 28 Fevereiro (22h), no Auditório Centro Cultural, Chaves.
som Mandrágora.


“Escarpa” - Mandrágora (Hepta Trad, 2008)

tipo Folk
sítio www.mandragora.com.pt

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Mandrágora no Sons Vadios

Eis o que escreveu Sara Vidal acerca de "Mandrágora":

"
Mandrágora
Mandrágora
Zounds/Sabotage, 2005

Há discos que vale a pena recordar, e escutar vezes sem conta, porque o tempo não os desactualiza ou descataloga, pelo contrário, amadurecem e ganham um sabor e côr especiais.

O primeiro disco dos Mandrágora, intitulado homonimamente, é desses trabalhos que vai fluindo ao longo dos anos, precisamente como uma raíz que vai explorando e apropriando-se de novos terrenos. Por isso, nele encontramos sonoridades tão díspares, na sua maioria instrumentais e de autoria própria, de intensa personalidade, ou não fossem resultado das experiências vivenciais dos membros da formação do Porto, que desde o ano 2000 foram recolhendo e assimilando histórias do imaginário popular e paisagens dum Portugal ancestral, envolto em mistério e misticismo.

É neste contexto que submergimos num mundo de magia, conjuros e feitiços, e quebramos o “Aranganho” numa encruzilhada perdida em Trás-os-Montes; visitamos o “Alto das Pedras Talhadas”, lugar megalítico perto de Évora associado ao culto da fertilidade; ou descobrimos os encantamentos de “Dona Chama”.

Entretanto, a mandrágora cresceu e as suas propriedades fecundantes e afrodisíacas semearam resultados, sendo este disco aclamado pela crítica especializada, tanto a nível nacional como internacional, acabando por ganhar o Premio Carlos Paredes em 2006. De facto, este é um disco inovador dentro do panorama da música portuguesa, uma vez que sabe conjugar de forma criativa e original os sons da tradição mais rústica com a estética musical mais progressiva e global, recorrendo, por exemplo, a instrumentos como o baixo eléctrico e a bateria.

Reza a lenda que a raíz da Mandrágora, que tem forma humana, deve ser arrancada da terra em noite de lua cheia e por uma corda atada a um cão preto, caso contrário ela gritaria até matar. O certo é que este disco é um grito de afirmação dum grupo que promete uma continuidade desejada, estando prevista a apresentação do segundo disco para Maio de 2008.

Sara Louraço Vidal
Alinhamento:
  1. vale de sapos
  2. alto das pedras talhas
  3. penas roias
  4. campanhã
  5. galandum
  6. o aranganho
  7. e pia o mocho
  8. trotamundos
  9. dona chama
  10. contra a noite
  11. agarez
  12. ir
  13. alraun
  14. trangalhadanças - alvorada de murracezes
Gravado na Quinta da Música no Outono e Inverno de 2003/4.
Som - Luís Carlos; Produção - Luís Carlos e Mandrágora; Fotografia - Nuno Horta; Design - Rui Garrido; Produção Executiva - Ana Paula Flores."

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Raiz de MANDRÁGORA vai crescer na Bretanha

Luis Rei da Crónicas da Terra publicou a seguinte noticia:

"Os MANDRÁGORA, autores de um dos mais arrojados trabalhos de fusão entre música tradicional, composição de inspiração clássica e tiques de rock progressivo editado em 2005 (e que viria a conquistar o prémio Carlos Paredes de 2006 atribuído anualmente pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira a obras de composição instrumental), prometem um ano de 2008 intenso, com interessantíssimas actividades. Entre os dias 3 e 13 de Abril deslocam-se à Bretanha para efectuar uma residência com músicos locais (de onde se destaca o nome da luso-francesa SIMONE ALVES da KREIZ BREIZH AKADEMI que participou com o projecto NORKST no FMM de Sines deste ano). Estes encontros que, esperemos, possam abrir ainda mais os horizontes aos MANDRÁGORA, terão a direcção artística do violinista JACKY MOLARD (que também passou este ano no FMM de Sines). A estada nesta região francesa conhecida pela prolífica produção musical e pelos históricos festivais de música «celta» e de danças tradicionais, permitirá ainda aos MANDRÁGORA a realização de seis espectáculos em locais a definir. Um mês depois, a banda portuense editará, a 9 de Maio, o seu segundo álbum de originais que terá honras de apresentação ao vivo em quatro auditórios da cidade do Porto, entre os dias 9 e 17 de Maio. Este novo disco terá edição Hepta Trad e contará com o apoio promocional das Crónicas da Terra.